
A doença celíaca continua sendo um desafio para médicos e pacientes devido à grande variedade de sintomas e ao número significativo de casos que permanecem sem diagnóstico. Em Campos dos Goytacazes, a gastroenterologista Renata Valliant, da equipe do Gastro Prime, serviço especializado do Beda Prime, chama atenção para a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a enfermidade e reforça que a identificação precoce pode evitar complicações importantes.
A condição é uma doença autoimune desencadeada pelo consumo de glúten, proteína presente no trigo, na cevada e no centeio. A reação provoca inflamação no intestino delgado e compromete a absorção adequada de nutrientes pelo organismo. Segundo a médica, o principal obstáculo para o diagnóstico é que os sinais da doença nem sempre seguem o padrão mais conhecido. “Nem todos os pacientes apresentam o quadro clássico de diarreia, perda de peso e desconforto abdominal. Muitas vezes, os sintomas surgem de outras formas”, explica.
Além dos problemas digestivos, a doença pode se manifestar por meio de anemia persistente, deficiências nutricionais, osteoporose, infertilidade e cansaço crônico. Há ainda pacientes que praticamente não apresentam sintomas aparentes, o que contribui para o atraso na descoberta da enfermidade.

O tema esteve entre os destaques do Digestive Disease Week (DDW) 2026, um dos principais congressos mundiais da especialidade. De acordo com Renata, foram apresentados avanços em exames diagnósticos, estudos sobre novas terapias e pesquisas relacionadas ao papel da microbiota intestinal na doença celíaca.
A especialista também alerta para um erro frequente entre pessoas que suspeitam ter sensibilidade ao glúten. “Retirar o glúten da alimentação antes de procurar avaliação médica pode dificultar ou até impedir a confirmação do diagnóstico”, ressalta.
Atualmente, a investigação envolve exames laboratoriais específicos e, em muitos casos, endoscopia digestiva com biópsia do intestino delgado. O tratamento continua baseado na exclusão completa do glúten da dieta, embora novas alternativas terapêuticas estejam em desenvolvimento.
Para a gastroenterologista, a principal recomendação é que sintomas persistentes ou alterações sem causa definida não sejam ignorados. “Anemia recorrente, queixas digestivas frequentes e deficiências nutricionais precisam ser investigadas. O diagnóstico precoce faz toda a diferença”, conclui.