
A prematuridade da pequena Liz Cristina transformou a rotina da família, misturando alegria e apreensão. Ela foi o primeiro bebê a nascer em Campos dos Goytacazes no primeiro dia de 2026, na Maternidade Lilia Neves. A filha do casal Anne Giselly Lima e Alexandre Duarte Vicente nasceu com 32 semanas de gestação e precisou ficar internada no Centro Nicola Albano UTI Neonatal e Pediatria por conta de um desconforto respiratório. O período foi desafiador para o jovem casal, mas marcado pelo acolhimento e pela atenção dos profissionais.

Anne lembra que, apesar da insegurança inicial, o ambiente se tornou mais leve. “Eu não vou dizer que foi fácil, mas se tornou um pouco mais suave. Eu fui muito abraçada pela equipe do hospital”, relata. Ela destaca o primeiro contato entre mãe e bebê. “O primeiro afeto com a mãe e o bebê que eles prezam no hospital, isso eu admiro muito nos profissionais. O suporte foi constante, tanto no atendimento clínico quanto no cuidado diário. As enfermeiras são muito solícitas, e os médicos, a todo momento, também foram”, comenta.
Para Alexandre, o atendimento é conduzido para reduzir o peso emocional da internação. “Eles deixaram bem mais leve do que nós imaginávamos. O acompanhamento psicológico e a qualidade da estrutura foram pontos importantes durante os dias no hospital. Equipamentos de alta qualidade e higienização nos deram segurança”, afirma.

A incorporação de novas tecnologias ao cuidado intensivo neonatal tem ampliado de forma significativa as chances de sobrevivência e a qualidade de vida de bebês prematuros extremos. A avaliação é da médica neonatologista Luciana Faes, que atua há quase três décadas em unidades de terapia intensiva e acompanha de perto a evolução dos recursos voltados ao atendimento do recém-nascido de alto risco.
Segundo a especialista, a aquisição de uma incubadora de última geração, fabricada na Alemanha, representou um avanço importante na assistência aos bebês mais frágeis, especialmente aqueles com peso inferior a mil gramas. “O equipamento permite um controle térmico mais rápido e preciso, graças a um colchão aquecido com sensor de temperatura, fator considerado decisivo para a estabilidade clínica desses pacientes. Em bebês tão pequenos, o controle térmico precisa ser muito ágil, e essa tecnologia nos trouxe uma resposta muito mais eficiente do que tínhamos antes”, explica.
Tecnologia e humanização
A neonatologista Luciana Faes destaca que o novo equipamento do Centro Nicola Albano possui balança de alta precisão integrada, que possibilita a pesagem do recém-nascido com mínimo manuseio. Além disso, sensores permitem o monitoramento contínuo de dados vitais, como frequência cardíaca e respiratória, reduzindo intervenções diretas e garantindo maior segurança. “Conseguimos acompanhar todo esse bebê com o mínimo de manipulação, o que é fundamental nesse perfil de paciente. Foi um ganho muito positivo. Hoje conseguimos manter vivos bebês de 24 ou 25 semanas de gestação, com qualidade de vida. Isso não seria possível apenas com proficiência, sem tecnologia”, ressalta.

Luciana Faes também destaca a importância de que gestantes de alto risco e bebês prematuros nasçam em maternidades que disponham de UTI neonatal. Para ela, o acesso rápido ao cuidado especializado faz toda a diferença no desfecho clínico. “Os pais devem buscar conhecer, sempre que possível, o que uma UTI é capaz de oferecer: resultados, tecnologias e os profissionais que atuam ali”, orienta.
Após o período de internação, Liz Cristina está em casa, para alegria da família. Anne conta que está amamentando a filha e se adaptando à nova rotina. “Estou tentando levar todos os cuidados possíveis que aprendi no hospital, por ela ser uma bebezinha prematura. Estamos bem”, conclui.