
O Dia Mundial do Coração, realizado em 29 de setembro, busca conscientizar sobre as doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte no mundo. Destaca-se a importância de hábitos saudáveis e check-ups médicos regulares para a prevenção e detecção precoce de problemas cardíacos. O médico Nicolau Schettino, coordenador do Setor de Emergência do Hospital Geral Doutor Beda, comentou, em entrevista, sobre a demanda significativa por atendimentos relacionados às questões cardíacas na unidade. O setor realiza entre 4 mil e 4.200 atendimentos mensais, e uma parcela específica desses casos está ligada a problemas do coração.
“Entre os atendimentos, os casos mais prevalentes em nossa população são dor torácica, insuficiências cardíacas e arritmias. Em um mês contabilizado, registramos 53 atendimentos por dor torácica, por exemplo. Desses, cinco foram classificados como infarto com supra, com intervenção mais rápida e eficaz”, explicou Schettino.
O protocolo de dor torácica do hospital tem sido fundamental para o diagnóstico e tratamento adequado desses pacientes, ressaltando a importância da agilidade no atendimento a emergências cardíacas. Com uma equipe preparada e protocolos estabelecidos, o Hospital Doutor Beda se destaca. Dr. Schettino esclareceu a definição e a importância do atendimento em casos de infarto com supra. Segundo ele, “as alterações no eletrocardiograma que classificam um infarto podem ser divididas em dois tipos: com supra desnivelamento do segmento ST e sem supra desnivelamento do segmento ST. O hospital possui um serviço de hemodinâmica disponível 24 horas por dia, seguindo diretrizes que orientam a equipe a realizar intervenções coronarianas em um tempo máximo de 90 minutos”.
O coordenador do Setor de Emergência, Nicolau Schettino, complementa:
“Contamos com uma equipe composta por cardiologistas disponíveis para contato 24 horas por dia, todos os dias da semana. Inicialmente, o paciente será atendido pelo médico de emergência, e para qualquer necessidade, podemos contar com a assistência da equipe de cardiologia. Temos, como referência, o protocolo de dor torácica, que envolve diagnósticos e conduta. Como é sabido no caso do infarto, ‘tempo é músculo’. Portanto, não podemos perder tempo e, assim, evitar a perda de músculo cardíaco, diminuindo o risco de evolução para insuficiência cardíaca. Entre os exames, podemos citar a ressonância cardíaca, a angiotomografia das coronárias, a cintilografia miocárdica, o teste ergométrico, o cateterismo cardíaco, o eletrocardiograma e o ecocardiograma, tanto transtorácico quanto transeofágico. A partir desses exames, o paciente será encaminhado à equipe de cardiologia e dar seguimento ao diagnóstico e buscar a melhor forma de tratamento.”
O Hospital Dr. Beda conta, ainda, com o exame laboratorial troponina ultrassensível. “A maioria dos hospitais no Brasil utiliza a troponina convencional, que exige uma sequência de dosagens para o diagnóstico de infarto. Esse processo pode se estender por 12 a 18 horas, dependendo do material utilizado. Por outro lado, a troponina ultrassensível, de acordo com nosso protocolo, permite que, em até três horas, possamos obter um valor positivo para confirmar ou sugerir um quadro de informações”, explica o médico.
Prevenção e recomendações
O coordenador do Setor de Emergência destaca a importância de prevenir problemas cardíacos e recomenda exames periódicos. “Sempre que há fatores genéticos, ou mesmo os congênitos que uma pessoa já tem desde o nascimento, esses pacientes têm que estar acompanhados. Agora, pacientes que não têm até o momento alguma alteração; os homens a partir dos 40 anos, as mulheres a partir dos 45 anos, mesmo sem doenças ou sem comorbidades; indicamos o acompanhamento cardiológico ou check-up cardiológico. Quando há outros fatores como hipertensão, diabetes, que acabam sendo fatores de risco para doenças cardíacas, sugerimos sempre o o acompanhamento mais precoce”, conclui.