
O envelhecimento saudável e os cuidados preventivos com a saúde foram temas de um encontro promovido pelo Plano de Saúde Ases, nesta terça-feira (20), no térreo do Edifício Medical Center, em Campos dos Goytacazes. A iniciativa integra o Projeto de Prevenção Ases, do Grupo IMNE, voltado à orientação e à promoção da qualidade de vida entre usuários e familiares. A roda de conversa reuniu idosos para palestras conduzidas pelo médico oncogeneticista Gustavo Drumond e pela neuropsicóloga Alessandra Machado, no primeiro encontro coletivo de 2026 do projeto, que já soma mais de 15 anos de atuação.

Responsável pelo programa, Gustavo Drumond ressaltou que o envelhecimento saudável deve ser encarado como um processo permanente, que exige cuidados físicos, emocionais e sociais. “Trata-se de um processo pelo qual passamos desde a infância até a velhice. Precisamos buscar esse envelhecimento saudável, cuidando da saúde física, da saúde mental e também da saúde coletiva”, afirmou. Segundo ele, embora o tema da finitude ainda provoque resistência, é importante tratá-lo com naturalidade e acolhimento. “A questão da finitude da vida ainda é um tema delicado. Mas faz parte do processo natural. A grande questão é como vamos morrer: com qualidade de vida, conforto e cercados pelos nossos familiares e amigos”, observou.

A neuropsicóloga Alessandra Machado destacou que envelhecer com saúde envolve muito mais do que cuidados físicos. Para ela, a saúde emocional e a maneira como as pessoas lidam com suas experiências também influenciam diretamente o processo. “Envelhecer com saúde é tudo o que se deseja. Se conseguimos falar de atividade física e saúde mental com leveza, promovemos um olhar mais crítico sobre o que estamos fazendo hoje e o que queremos colher no futuro”, explicou.
Alessandra lembrou que o envelhecimento acompanha toda a trajetória humana e que mudanças podem acontecer em qualquer fase da vida. “O envelhecimento começa desde que a gente nasce. Enquanto estamos aqui, conversando e vivendo, ainda há tempo de mudar”, afirmou. A neuropsicóloga acrescentou que informação e reflexão ajudam a enfrentar melhor essa etapa da vida. “Podemos dar frutos em qualquer idade.”

Os depoimentos das participantes reforçaram a importância do encontro como espaço de aprendizado e convivência. A aposentada Cely Azevedo Tinoco Rangel, de 85 anos, afirmou que acompanha regularmente as atividades e destacou o acolhimento do grupo. “Isso aqui é muito bom. A gente aprende e se esclarece cada vez mais”, disse. Sobre envelhecer, ela resumiu: “Aceito tudo com muita dignidade”.

Maria Inês Wagner, que completará 80 anos no fim do mês, ressaltou o valor das amizades e do convívio social. “Precisamos de amizades e de convivência, que às vezes é melhor até do que medicamento”, afirmou, definindo o envelhecimento como “um processo natural”.

Já a professora e psicóloga Josi Marlen Francisco de Paula, prestes a completar 60 anos e aguardando o primeiro neto, disse que não vê a velhice como um limite. “Acho que a velhice está muito na nossa cabeça, na forma como pensamos”, refletiu. Para ela, encontros como esse ajudam as pessoas a perceber que compartilhar experiências também é uma forma de cuidado. “Quando conversamos com o outro, percebemos que não estamos sozinhos e que o mundo não é só a gente”, concluiu.