
A prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama foram os principais temas do “Círculo de Cuidado e Saúde”, realizado no OncoBeda – Centro Integrado de Oncologia, em Campos dos Goytacazes. Integrado à programação do Outubro Rosa, o encontro reuniu pacientes oncológicos e profissionais de diferentes áreas da saúde em uma iniciativa que associou informação, acolhimento e incentivo à qualidade de vida. A programação contou com orientações de especialistas em oncologia, mastologia, fisioterapia, nutrição, psicologia e enfermagem. A dança e a literatura também ganharam espaço, com a participação da bailarina Juliana Queiroga e da escritora Sara Rifer, que compartilharam experiências relacionadas à superação, à esperança e à possibilidade de recomeçar diante das dificuldades.

O oncologista e diretor do OncoBeda e do Grupo IMNE, Diogo Neves, destacou a importância da conscientização e dos cuidados preventivos. “O câncer de mama pode ser detectado precocemente. A realização dos exames recomendados é fundamental para melhorar o prognóstico e salvar vidas”, afirmou.

A mastologista Laura Ferzeli ressaltou que a informação e a identificação precoce da doença são fundamentais para reduzir a mortalidade. Segundo ela, o enfrentamento do câncer também exige uma rede de apoio que envolva familiares, profissionais de saúde e aspectos relacionados à fé e à espiritualidade.
A médica observou ainda que os relatos de mulheres que passaram pelo tratamento podem servir de incentivo a outras pacientes. Para ela, compartilhar essas experiências ajuda a demonstrar a importância do acolhimento durante uma fase que afeta não apenas a mulher diagnosticada, mas também as pessoas próximas.

A enfermeira e coordenadora do OncoBeda, Virgínia Corrêa, enfatizou que a conscientização precisa permanecer durante todo o ano, sem se limitar à campanha de outubro. A instituição busca estimular hábitos saudáveis e manter o vínculo com os pacientes, ampliando as ações de cuidado para além do atendimento clínico.
Pelo segundo ano consecutivo, a programação incorporou manifestações culturais. Depois da música, presente na edição anterior, o encontro deste ano valorizou a dança e a literatura como instrumentos de acolhimento e de promoção do bem-estar.
Cuidado multidisciplinar
A fisioterapeuta Agnes Araújo chamou a atenção para os benefícios da atividade física e do acompanhamento fisioterapêutico desde o diagnóstico. A preservação da massa muscular e da mobilidade pode contribuir para que os pacientes enfrentem o tratamento em melhores condições. Ela também destacou a importância de orientar as pacientes a manterem-se ativas, respeitando suas limitações e necessidades individuais.

A nutricionista Ana Carolina Chatel abordou a contribuição da alimentação equilibrada para a saúde dos pacientes oncológicos. O acompanhamento nutricional pode auxiliar na manutenção da massa muscular, na melhora das condições metabólicas e no manejo de efeitos associados ao tratamento. A especialista defendeu a integração entre nutrição, atividade física e assistência de outras áreas.
Já a enfermeira esteta Marcela Cherene apresentou orientações voltadas aos cuidados com a pele e à autoestima. Ela explicou que procedimentos como quimioterapia e radioterapia podem provocar ressecamento e outras alterações cutâneas, exigindo atenção específica, hidratação e utilização de produtos suaves.
Dança e literatura como símbolos de recomeço
Um dos momentos de destaque foi a apresentação da bailarina Juliana Queiroga, que também enfrentou um câncer. Após receber alta neste ano, ela compartilhou a experiência de retomar a dança depois de seis anos de tratamento, cinco cirurgias, sessões de radioterapia e quimioterapia. Juliana contou que voltou ao balé com o apoio de sua professora, retomando uma atividade que havia deixado na infância e na adolescência. O retorno aos palcos representa, segundo ela, um novo capítulo de sua trajetória e a possibilidade de seguir em frente depois de uma experiência difícil.
A fotógrafa Chris Montezano também participou da iniciativa, registrando as pacientes durante o encontro. Com casos de câncer na própria família, ela destacou o significado pessoal do trabalho. A proposta é produzir imagens que possam representar momentos importantes da vida das mulheres e se transformar em lembranças de força, superação e vitória.

A escritora Sara Rifer compartilhou reflexões sobre sua relação com a literatura e relatou como a escrita a ajudou durante um período de depressão. Ela ressaltou o papel dos livros e das palavras na expressão dos sentimentos, no fortalecimento da vontade de viver e na construção de novos sentidos para a vida. Ao citar a poeta Cora Coralina, destacou sua trajetória como referência de coragem, persistência e esperança.
A psicóloga Fernanda Barros encerrou as reflexões sobre o cuidado emocional, abordando a importância de descobrir novas possibilidades de vida após o diagnóstico de uma doença oncológica. Segundo ela, atividades terapêuticas e prazerosas, como dança, esportes e trabalhos artesanais, podem contribuir para o bem-estar e para a recuperação do sentido da vida durante o enfrentamento do câncer.

O “Círculo de Cuidado e Saúde” reforçou, assim, a proposta de integrar conhecimento médico, acompanhamento multidisciplinar e experiências culturais, reconhecendo que o cuidado com pacientes oncológicos envolve também acolhimento, autoestima e qualidade de vida.