
O Serviço de Nefrologia e Hemodiálise do Hospital Dr. Beda promove, nesta semana, uma série de encontros, palestras e momentos de confraternização em referência à Campanha Nacional de Doação de Órgãos, que tem o dia 27 de setembro como data de mobilização. A iniciativa reúne profissionais de saúde, pacientes e familiares em atividades voltadas à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e da possibilidade de salvar vidas por meio dos transplantes.
Pacientes renais do Hospital Dr. Beda participaram de um dos encontros e acompanharam depoimentos de médicos, psicólogos, assistentes sociais e pessoas submetidas a transplante renal. Alguns dos pacientes transplantados receberam órgãos de doadores vivos e relataram as mudanças proporcionadas pelo procedimento e a melhora na qualidade de vida. O hospital também mantém um ambulatório específico para o acompanhamento de pacientes transplantados renais.
Coordenador do Serviço de Nefrologia, o médico nefrologista João Carlos Borromeu Piraciaba destacou a importância da campanha e falou sobre o acompanhamento oferecido aos pacientes transplantados e àqueles que aguardam por um rim. Segundo ele, o processo envolve a regulação do Rio Transplante, serviço sediado na capital fluminense, que mantém contato com unidades do interior do estado, entre elas o NF Transplante.
O primeiro transplante renal realizado no Hospital Dr. Beda ocorreu em junho de 1998. A partir de 1999, após o credenciamento da unidade ao Sistema Nacional de Transplantes, foram iniciados transplantes em série com doadores vivos. Em 2003, o hospital passou a realizar procedimentos com doadores falecidos. A partir de 2006, houve também um aprimoramento na seleção entre doador e receptor por meio do HLA, sistema relacionado aos antígenos de histocompatibilidade, com o objetivo de reduzir o risco de rejeição do órgão. Até 2012, foram realizados 83 transplantes renais entre doadores vivos e falecidos.

“Atualmente, cerca de 40 pacientes são acompanhados pelo ambulatório de transplante renal do Hospital Dr. Beda. O acompanhamento inclui consultas regulares e a realização de exames, permitindo que esses pacientes tenham assistência especializada sem a necessidade de se deslocarem para outras cidades”, diz o médico.
O sistema de transplantes brasileiro segue protocolos e critérios específicos e reforça a importância de as famílias conhecerem a vontade de seus integrantes sobre a doação de órgãos. Em situações de morte encefálica, a autorização familiar é fundamental para que a doação possa ocorrer. “Se cada um refletisse sobre essa possibilidade e avisasse à família sobre seu desejo de doar, pois é ela quem, por fim, autoriza a doação, muitas pessoas seriam beneficiadas”, destaca o nefrologista.
A maior parte das pessoas que aguardam um transplante renal está em tratamento dialítico. Dr. Borromeu explica que o transplante não representa uma cura, mas uma modalidade de tratamento que pode proporcionar mais qualidade de vida. Enquanto aguardam uma oportunidade, os pacientes precisam manter os cuidados com a saúde física e mental e os exames em dia. Na hora que a oportunidade surgir, devem estar preparados. Para que haja mais oportunidades, a doação precisa ser incentivada”, afirma.
O médico também chama a atenção para a necessidade de combater informações falsas e mitos relacionados à doação de órgãos. Para ele, a conscientização deve ser permanente, com busca de informações em fontes confiáveis e esclarecimento das dúvidas da população. “É de suma importância que a família saiba sobre o desejo de doar, pois o gesto só ocorre com sua autorização”, conclui Borromeu.