
Uma técnica cirúrgica moderna voltada ao tratamento de doenças da coluna lombar tem proporcionado recuperação mais rápida e menor dor no período pós-operatório em pacientes com indicação específica. O neurocirurgião Leandro Alcy realizou recentemente, no Hospital Dr. Beda, em Campos, o procedimento conhecido como ALIF (Artrodese Intersomática Lombar Anterior) em um paciente de 45 anos que apresentava dores intensas nas costas irradiando para as pernas, provocadas por espondilolistese — condição caracterizada pelo escorregamento de uma vértebra sobre a outra.
Segundo o especialista, o método é indicado quando há necessidade de reposicionar a vértebra e substituir completamente o disco comprometido. “Para esse paciente, a técnica foi fundamental. Ele apresentava dor intensa e limitação importante. Com o acesso anterior, conseguimos remover totalmente o disco e colocar uma prótese que ocupa o espaço discal, melhora a estabilidade da coluna, corrige a curvatura e reduz a dor já no pós-operatório imediato”, explicou.

A cirurgia é realizada pela parte frontal do corpo, através do abdômen, utilizando abordagem minimamente invasiva. De acordo com o médico, uma das principais vantagens está na preservação das estruturas musculares. “No acesso posterior, é preciso descolar e afastar a musculatura, o que pode provocar mais dor e fibrose no pós-operatório. Pela via anterior, seguimos planos naturais do corpo, com menor agressão aos tecidos”, destacou. A rápida mobilização do paciente também é apontada como benefício relevante. “Duas horas depois da cirurgia, o paciente já consegue andar”, afirmou o especialista.
Embora seja considerada relativamente recente — difundida há cerca de duas décadas —, a técnica já faz parte da rotina da equipe médica em casos selecionados em Campos dos Goytacazes. O grupo possui treinamento internacional e conta com o suporte de um cirurgião de acesso especializado em procedimentos abdominais, responsável por auxiliar na etapa inicial da abordagem cirúrgica.
A recuperação funcional ocorre gradualmente. A consolidação óssea da artrodese leva, em média, três meses. Durante esse período, o paciente não precisa permanecer imobilizado, mas deve seguir orientações específicas para garantir bons resultados.
“O paciente volta aos afazeres cotidianos, faz fisioterapia nos primeiros meses e, após três a quatro meses, iniciamos o fortalecimento abdominal e a reabilitação para atividades físicas mais intensas, como corrida ou agachamento”, explicou Leandro. Segundo ele, pacientes que antes estavam limitados pela dor tendem a recuperar progressivamente a autonomia e a qualidade de vida.

Técnica amplia opções no tratamento
A fusão lombar por via anterior, conhecida como ALIF, vem se consolidando como alternativa eficaz no tratamento de instabilidade vertebral, degeneração severa, hérnias de disco e deformidades da coluna. O principal objetivo do procedimento é promover a fusão de duas ou mais vértebras, proporcionando maior estabilidade à região lombar.
Outro benefício importante é a correção da lordose, contribuindo para o restabelecimento do alinhamento natural da coluna. Entre os ganhos relatados estão o alívio significativo da dor lombar e ciática, recuperação mais rápida, menor tempo de internação e redução do desconforto no pós-operatório.
O neurocirurgião Leandro Alcy ressalta ainda a importância do diagnóstico adequado e alerta contra a associação automática entre dor lombar, hérnia de disco e necessidade de cirurgia. “Precisamos desmistificar isso. Cerca de 80% das pessoas acima dos 50 anos têm hérnia de disco, e isso não significa que precisem operar. A cirurgia é indicada apenas quando há sintomas compatíveis e confirmação de que aquela alteração é realmente a causa da dor”, afirmou.
Para explicar o funcionamento da coluna, o médico compara sua estrutura a um quadro de disjuntores, no qual cada raiz nervosa corresponde a uma região do corpo. Assim, o local da dor nem sempre coincide com a alteração observada nos exames, e outras estruturas também podem estar envolvidas. “Nem toda dor lombar que irradia para a perna é hérnia de disco — e muito menos caso cirúrgico. Problemas musculares, do quadril ou da articulação coxofemoral também podem gerar sintomas semelhantes”, concluiu.