
Responsáveis por funções essenciais ao organismo, os rins precisam de cuidados permanentes para que mantenham sua capacidade de filtrar o sangue e controlar o equilíbrio de líquidos e substâncias no corpo. Segundo o médico nefrologista João Carlos Borromeu Piraciaba, coordenador do Serviço de Nefrologia do Hospital Geral Dr. Beda, algumas doenças renais podem evoluir durante anos sem provocar sintomas, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento médico.
Com quase quatro décadas de atuação na área, Borromeu acompanha pacientes em diferentes estágios de comprometimento renal, incluindo aqueles que necessitam de hemodiálise. Ele explica que os rins também participam da regulação da pressão arterial e da produção de eritropoietina, hormônio relacionado à formação das células vermelhas do sangue.
“Os rins são órgãos duplos e essenciais para a sobrevivência. Eles fazem o equilíbrio hídrico e metabólico do organismo, regulam a pressão arterial e produzem a eritropoietina, que ajuda na produção do sangue, evitando a anemia”, afirma o especialista.
Um dos principais desafios no diagnóstico das doenças renais é justamente a ausência de sintomas nas fases iniciais. Alterações na pressão arterial, inchaços, anemia e mudanças no hábito urinário podem ocorrer, mas nem sempre estão presentes quando a doença começa. Algumas enfermidades, como determinadas formas de glomerulonefrite crônica, podem avançar significativamente sem manifestações perceptíveis.
Entre os fatores que mais contribuem para o desenvolvimento da doença renal crônica estão o diabetes e a hipertensão arterial. O controle dessas condições, portanto, é considerado parte importante da prevenção. O acompanhamento também deve levar em conta outros fatores de risco, como alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos e a obesidade.
A hidratação adequada é outro cuidado destacado pelo nefrologista. De acordo com Borromeu, os rins dependem de uma boa perfusão sanguínea e de um equilíbrio adequado de água e eletrólitos para desempenhar suas funções. “Em média, devemos ingerir em torno de 30 a 35 mililitros de água por quilo de peso corporal. Assim, devemos manter uma boa diurese, ingerindo de 2 a 2,5 litros de água por dia”, orienta.
Para o especialista, a prevenção da doença renal está diretamente ligada à adoção de hábitos que contribuem para a saúde de maneira geral. Alimentação equilibrada, controle do peso, redução do consumo de sal e de alimentos ricos em gordura e prática regular de atividade física estão entre as medidas recomendadas.
Doutor Borromeu também chama atenção para a necessidade de avaliações periódicas da função renal. “Uma avaliação da função renal deve ser feita pelo menos uma vez por ano, com a dosagem da ureia e creatinina, um exame simples da urina e a avaliação da morfologia do aparelho urinário por meio de uma ultrassonografia”, explica.
O cuidado deve ser ainda mais próximo entre pessoas que apresentam doenças crônicas. Para o nefrologista, o acompanhamento médico precisa considerar o paciente de forma integral e identificar precocemente alterações que possam comprometer os rins.
“É importante que o médico que cuida da pessoa de forma holística esteja atento às doenças crônicas, como hipertensão arterial, diabetes, dislipidemias e obesidade”, destaca.
O envelhecimento da população também representa um desafio para a saúde renal. Segundo Borromeu, o aumento da expectativa de vida de pessoas com diabetes e doenças cardíacas tem contribuído para o crescimento da ocorrência de doença renal crônica entre os idosos. Ele acrescenta que o uso excessivo de medicamentos anti-inflamatórios também pode prejudicar a função dos rins nessa faixa etária. “A incidência de doença renal crônica em idosos tem aumentado com a maior sobrevida de diabéticos e cardíacos. Além disso, o uso exagerado de anti-inflamatórios tem contribuído para a redução da função renal do idoso”, alerta o médico.