
O Carnaval brasileiro começa e, com ele, as grandes aglomerações, o clima de descontração e os contatos físicos mais frequentes. Entre abraços e beijos, cresce também o risco de transmissão de doenças infecciosas veiculadas pela saliva, especialmente em períodos de festas prolongadas e intensa circulação de pessoas.
Entre as enfermidades mais conhecidas está a mononucleose infecciosa, popularmente chamada de “doença do beijo”. Provocada pelo vírus Epstein-Barr, ela pode causar febre, dor de garganta intensa, aumento dos gânglios no pescoço e um cansaço persistente. Outra infecção comum é o herpes simples labial, altamente contagioso, que pode ser transmitido pelo contato com a saliva, mesmo quando não há feridas visíveis.
A médica infectologista Andreya Moreira alerta que o período carnavalesco exige atenção especial com a saúde. “Nessa época do ano, devemos ficar atentos a algumas doenças específicas relacionadas ao contato próximo, às gotículas e ao beijo”, afirma. Segundo ela, além da mononucleose e do herpes labial, bactérias também podem causar infecções na garganta. “A saliva é um meio de transporte de vírus e bactérias, e pessoas com imunidade mais baixa costumam ser mais acometidas”, explica.
O cirurgião-dentista Marco Antônio Gallito, professor doutor e coordenador do curso de Odontologia da Universidade Federal Fluminense, lembra que o beijo na boca pode facilitar a transmissão de diversas doenças. “Além da mononucleose e do herpes labial, o contato entre salivas e mucosas pode transmitir HPV, Covid-19, sífilis, gripes, resfriados e candidíase oral, entre outras infecções”, destaca.

Segundo Gallito, o risco aumenta quando há feridas, aftas ou lesões ativas na boca. “Beijar pessoas desconhecidas também eleva a possibilidade de transmissão. Por isso, a higiene bucal diária é fundamental, com o uso de creme dental com flúor, fio dental e a escovação da língua. Evitar contato com pessoas que apresentem sinais de infecção é uma medida importante. A prevenção é sempre o melhor caminho para um Carnaval mais saudável”, orienta.
Sintomas e cuidados
Os sinais de infecção podem surgir dias após o contato. Andreya Moreira explica que febre, dor de garganta persistente e alterações no pescoço estão entre os sintomas mais comuns. “Algumas pessoas apresentam ínguas, cansaço intenso e fadiga, a ponto de dificultar atividades do dia a dia. Também podem surgir pequenas feridas nos lábios ou dentro da boca”, relata.

A infectologista reforça que a automedicação não é recomendada. Em casos virais, hidratação e repouso são fundamentais, além de cuidados rigorosos com a higiene, já que alguns vírus podem ser transmitidos por objetos compartilhados. “O herpes labial é bastante comum e pode ser transmitido pelo uso de talheres e copos”, alerta.
A orientação final é procurar atendimento médico para diagnóstico e tratamento adequados. “Cada caso exige uma conduta específica. Para o herpes, utiliza-se antiviral; para infecções bacterianas, antibióticos. Quando o tratamento não é feito corretamente, há risco de complicações. Com atenção e prevenção, é possível aproveitar o Carnaval com mais segurança”, conclui a médica.