Beda realiza primeiro implante de CDI subcutâneo do Norte Fluminense

     O cirurgião cardíaco Pedro Conte à direita realiza procedimento inédito no Hospital Dr. Beda (Fotos Ocinei Trindade)

O Hospital Dr. Beda realizou, na última semana, o primeiro implante de um Cardiodesfibrilador Implantável Subcutâneo (CDI-S) do Norte Fluminense. O procedimento, considerado inédito na região, foi conduzido pelo cirurgião cardíaco Pedro Conte e representa um avanço no tratamento de pacientes com alto risco de morte súbita cardíaca.

“É um marco para a região. Até hoje, pacientes que necessitavam desse tipo de procedimento acabavam sendo encaminhados para grandes centros. O Hospital Dr. Beda sempre esteve à frente em inovação tecnológica, especialmente na cardiologia, e realizar esse primeiro implante no interior do estado é motivo de muito orgulho”, destacou o especialista.

O Cardiodesfibrilador Implantável é um dispositivo capaz de acompanhar continuamente o ritmo do coração e identificar alterações graves, como a fibrilação ventricular e a taquicardia ventricular, arritmias que podem provocar uma parada cardíaca. Quando detecta uma dessas situações, o aparelho libera automaticamente uma descarga elétrica para recuperar o ritmo normal do coração.

A principal diferença do modelo subcutâneo em relação aos dispositivos tradicionais está na forma de implantação. Enquanto os modelos convencionais utilizam eletrodos que passam pelas veias e chegam ao interior do coração, o CDI-S é colocado sob a pele, sem contato direto com os vasos sanguíneos ou com as estruturas cardíacas internas.

“O modelo transvenoso funciona como marcapasso e cardiodesfibrilador, mas exige eletrodos dentro do coração. Já o CDI subcutâneo é implantado sem nenhum eletrodo intracardíaco ou intravascular. Ele é indicado principalmente para pacientes que não precisam de estimulação cardíaca permanente”, explicou Pedro Conte.

A nova tecnologia é indicada principalmente para pacientes com insuficiência cardíaca grave, pessoas que já sobreviveram a uma parada cardíaca e portadores de síndromes arrítmicas hereditárias, como a Síndrome de Brugada e a Síndrome do QT Longo. Nesses casos, o equipamento funciona como uma proteção contínua contra episódios que podem levar à morte súbita.

Segundo o cirurgião cardíaco, uma das principais vantagens do CDI-S é reduzir complicações associadas aos eletrodos implantados dentro do coração. “O benefício mais importante é eliminar os riscos relacionados aos eletrodos posicionados no interior do coração. Isso reduz significativamente a possibilidade de infecções sistêmicas, endocardites, tromboses e perfurações. Além disso, facilita futuras trocas ou remoções do dispositivo”, afirmou.

Pedro Conte ressalta que a tecnologia tem indicação especial para pacientes jovens, que deverão permanecer muitos anos utilizando o equipamento. “Quando pensamos em um paciente que permanecerá décadas com o dispositivo, o modelo subcutâneo reduz as chances de complicações futuras relacionadas aos eletrodos. A proposta é proteger esses pacientes 24 horas por dia contra a morte súbita cardíaca”, disse.

O procedimento realizado no Hospital Dr. Beda teve duração aproximada de 40 minutos. O gerador foi implantado na lateral do tórax e o eletrodo foi posicionado sob a pele, próximo ao osso esterno. A cirurgia contou com uma equipe multidisciplinar formada por cirurgião cardíaco, médico auxiliar, anestesista, profissionais de enfermagem, técnico em radioscopia e representantes da empresa fabricante do equipamento.

Após a cirurgia, o paciente permaneceu internado por até 48 horas e recebeu alta com o dispositivo já em funcionamento. A recuperação completa costuma ocorrer em aproximadamente quatro semanas.

A morte súbita cardíaca é um problema de grande impacto mundial. Estimativas apontam que entre quatro e seis milhões de pessoas sejam afetadas anualmente no mundo. No Brasil, cerca de 300 mil mortes por causas cardíacas são registradas todos os anos, muitas delas relacionadas a arritmias malignas.

Para Pedro Conte, a prevenção continua sendo fundamental. “Controlar hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade e tabagismo, além de manter atividade física regular e acompanhamento médico, são medidas indispensáveis. Também é importante não ignorar sintomas como desmaios, palpitações, falta de ar e dor no peito, especialmente quando existe histórico familiar de morte súbita”, alertou.

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